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café alongado

tenho sentido uma vontade danada de escrever. talvez seja essa coisa lá do tempo que eu escrevia todo dia num caderninho-diário antes mesmo de pensar em ser a jornalista-não-praticamente que sou. talvez só queira colocar algo para fora. também essa coisa, depois de passar os últimos meses escrevendo um tanto das dores doídas que me lascaram o ar em papéis perdidos por esse navegar de um lado para o outro, que tenho sentido uma vontade danada de escrever sobre as bonitezas que sopram e suavizam o peito. ou talvez seja essa vontade canalha de encontrar um respiro em tanta barbárie. só sei que a vontade num arreda o pé. talvez, talvez, talvez.. foi aí que me peguei olhando para um jogo de mesa que fiz no meu aniversário desse ano, 2019. junto veio a memória de quando tecia, e a dor na nuca que sempre me acompanhava às fugas, e pensava o quanto elas - as tapeçarias - estariam presentes nos meus cafés da manhã. eu pudesse, viveria no café da manhã. às vezes queria que as manhãs fossem quase intermináveis. afinal, quase, pois quero que acabem para outra chegar e perdurar no tempo alongado do acontecimento.


escrito de setembro de 2019.


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